Mostrar mensagens com a etiqueta diascinzentos. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta diascinzentos. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 24 de outubro de 2022



 Por baixo do tecido do céu, as tardes têm sabor a terra.

Não há muito a dizer.

E então sentir a multidão e ouvir o silêncio.






sábado, 2 de julho de 2022





O tempo infinito e o rascunho de uma vida.
Depois da descida, a queda. O sorriso desaparece, as dúvidas e a repreensão.
Uma montanha intransponível dentro de mim. Despi tantas vezes o orgulho que não sobra mais nada.

quarta-feira, 26 de maio de 2021

A terra calcinada, preta. Vegetal. 
Nunca verdadeiramente suja mas uma natureza desleixada. 
E uma veia rasgada. Correntes que estalam com o eco de ontem. 
No muro do exílio uma sombra. 
Ali. perto. 
Junto ao vazio e à mão que esquece.


sexta-feira, 23 de abril de 2021



E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
Nunca mais são os mesmos e por vezes

Encontramos de nós em poucos meses
O que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

Ao tomarmos o gosto aos oceanos
Só o sarro das noites não dos meses
Lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
Num segundo se enrolam tantos anos


David Mourão-Ferreira

quinta-feira, 23 de julho de 2020



A caminho de casa oiço esta música e pela primeira vez "vejo" a letra. 
E é um murro no estômago ou a carapuça perfeita.
Porque no fim, não sobra nada de mim.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019



Dezembro já foi. Janeiro está a chegar ao fim. 
E as horas cinzentas, e a minha memória e a pele que conta. 
Porque as noites são frias, porque o meu corpo tem dores e há a lembrança incerta de um amanhã. 
E as viagens sonhadas, o horizonte e os pássaros dentro. 
Sabemos que a morte não anda longe e que a vida e o horror rasgam o corpo como uma lâmina afiada. 
E porque eu quero que amanhã seja doce apesar da lágrima do final de tarde. 
E o cansaço também. 
A chuva roubou a minha coragem e a minha vontade. 
Talvez amanhã.

sábado, 12 de janeiro de 2019


Sei o mau e o fumo que mata. Sei que o amor não passa de uma ilusão. 
Sei as lágrimas e o suor. Sei a faca que abre a carne e a falta de respeito constante.
Sei a escuridão mas sempre acreditei no carinho que senti. Vi o sorriso e a sinceridade. 
E quis mais. Achei que podia ter mais. Empurrei a porta e entrei . 
Nunca dei tanto e recebi tão pouco. (Será que devemos dar na esperança de receber?)
Mas sabem uma coisa? Continuo a não gostar do sabor das lágrimas e do sangue que me sai da alma.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

"Ensinou-nos muito mais do que devíamos aprender, mas ensinou-nos acima de tudo que nenhum lugar da vida é mais triste do que uma cama vazia."

Crónica de Uma morte anunciada - Gabriel Garcia Marquez



Construí o meu abismo e balanço-me nas bordas do vazio.
Anúncio da queda.
Lenta. Inexorável.
Prometo cair em silêncio. 
Com elegância. Talvez.
Sem gritos.
Não sei se a escolha é minha. 
Os erros esses foram meus.
Magoei. Menti.
Os erros são teus.
Magoas. Mentes
Quem sabe se não escolher é também uma escolha.
Desenho o esboço da queda.
Abordo o irremediável.
Aceito.

quinta-feira, 13 de setembro de 2018



Houve um tempo em que ser amada era uma prioridade, 
uma necessidade maior do que a minha própria vida. 
Mas aprendi que o respeito e o amor próprio são bem mais importantes. 
Já não espero muito dos meus dias. Vivo e luto pelos meus filhos.
Olho para o espelho e vejo sombras, um sorriso forçado 
e alguém que não fará mais do que sobreviver, porque viver é para quem merece.

quarta-feira, 25 de julho de 2018


Fico-me por aqui, presa entre paredes gastas. 
O que daria por um segundo a mais. 
Uma hora num espaço que pudesse ser nosso. 
Intimidade e cumplicidade. 
Um abraço enquanto leio um livro, um beijo na testa.
Serás sempre o frio que incomoda no estômago. 
Eu nunca serei mais do que aquilo que nunca fui.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

e de repente lembrei-me que já não tenho ninguém para me tirar fotografias...
é uma sensação estranha. vazio e solidão.

segunda-feira, 25 de junho de 2018



Não há nada pior do que a dor provocada pelo silêncio. 
Sentimo-nos incompetentes e insuficientes.
Não há tecido que chegue para secar as lágrimas. 
Ficamos sentados durante horas a olhar para o vazio na esperança 
que o coração consiga recuperar de uma morte anunciada.

quinta-feira, 3 de maio de 2018



Chove na noite e as luzes projetam as sombras da angústia nas ruas molhadas. As gotas batem na luz e na varanda do meu terceiro andar. O silêncio fica preso na garganta. A cama está gelada e a sombra da janela desenha uma cruz imensa no chão. Nada faz sentido.

sábado, 14 de abril de 2018



Era o frio que sentia na pele sempre que saia daqueles lençóis brancos
Sonhava que um dia poderia voltar a sentir o calor de um corpo adormecido e de uma respiração tranquila
Haveria ainda tempo para dividir uma manta numa casa cheia de sonhos e de livros?

segunda-feira, 9 de abril de 2018



A tristeza das nuvens cola-se ao meu corpo. 
O sol desapareceu e não pára de chover. Até o dia tem os pés molhados. 
As poças atravessam a pele e a humidade instala-se nos ossos.
É pior do que viver dentro do mar. 
As articulações queixam-se e pergunto-me quando é que o céu vai parar de chorar.
Os olhos habituam-se ao cinzento que nunca desaparece totalmente. 
Acordo e adormeço com o cheiro a terra molhada.
Os dias morrem numa estranha semelhança e a vida parece uma noite sem fim. 
Às vezes tenho medo que dure para sempre.

quinta-feira, 8 de março de 2018


Há balanços que evito fazer. Portas que devem ficar fechadas.
Deixas-me cair por terra sem hesitar. 
Há frio e fraqueza. Há cansaço. 
O coração pede tréguas e a boca guarda o último beijo. 
Já não preciso de nada. Não era isso que querias?


Cuidado. 
O amor é um pequeno animal desprevenido
Uma teia que se desfia pouco a pouco.
Guardo silêncio para que possam ouvi-lo desfazer-se.
Ruy Cinatti