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sexta-feira, 17 de junho de 2022

Largar o que faz mal e arriscar. 
Desequilibrar a balança.
Nomear as palavras que dizem o possível, as que permitem andar junto ao abismo sem nunca cair.
Palavras escondidas na escuridão para afastar as sombras.
E então gritar tudo o que contei ao vento.



sábado, 8 de agosto de 2020



Há uma tranquilidade estranha em casa. Levanto o nariz do livro e oiço o sino da capela. 
Passaram algumas semanas e ainda sinto um vazio quando não estás na minha vida. 
O teu silêncio prolongado deixa-me triste. Ausência involuntária? Cansaço? Preguiça? Distância imposta? 
Talvez seja uma fuga. Mas o comboio há-de partir sem ti. 
Sei que não vais dar notícias. Vais calar-te, como sempre e vou continuar descosida. 
Palavras frágeis. 
A distância que nos separa, distância desprovida da tua presença é para mim como um abismo. 
Sou apenas sombra. Caio. 
É um mau estar que não controlo. 
É uma sensação desagradável pintada de emoções que me fazem mal. 

Desculpa. Vou deixar-me levar pela voz da Alice. 



terça-feira, 21 de julho de 2020




Um corpo indiferente
O abismo colado à pele

A veia imóvel absorve o caos

Nos ecos da terra escura
a água procura a esperança

Sempre a mesma lama que avança

E o sonho que teima em não morrer

E o caminho para o fim
Como um recomeço

domingo, 21 de junho de 2020




Há as que se preparam, silenciosas, espessas e pesadas, opacas.
 Chegam com um carinho matreiro e puxam-nos para o abismo obscuro.
Os movimentos desaceleram. É quase impossível mexer. 
Os pensamentos transformam-se em pântanos.

Há também as pacíficas, que levam e trazem. 
Empurram o suficiente para ajudar nos movimentos e para poder crescer. 
As que cantam, sopram e acalmam. 
As que vêm cobertas de espuma mas que permitem avançar, sem medo.
Depois há as loucas e inesperadas. 
Atropelam e mostram desejos escondidos. 

E depois de rebolar e cair, voltam as primeiras, sempre. 

As ondas.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

"Ensinou-nos muito mais do que devíamos aprender, mas ensinou-nos acima de tudo que nenhum lugar da vida é mais triste do que uma cama vazia."

Crónica de Uma morte anunciada - Gabriel Garcia Marquez



Construí o meu abismo e balanço-me nas bordas do vazio.
Anúncio da queda.
Lenta. Inexorável.
Prometo cair em silêncio. 
Com elegância. Talvez.
Sem gritos.
Não sei se a escolha é minha. 
Os erros esses foram meus.
Magoei. Menti.
Os erros são teus.
Magoas. Mentes
Quem sabe se não escolher é também uma escolha.
Desenho o esboço da queda.
Abordo o irremediável.
Aceito.

segunda-feira, 15 de outubro de 2018


Abro um livro numa página qualquer e leio frases soltas. 
Escondo-me nas metáforas das palavras e fico suspensa na beira do abismo.
Não terei direito a ser embalada pelo abraço que me completa?

segunda-feira, 11 de junho de 2018


Há lugares escuros onde gosto de descansar.
Lugares escuros onde a minha fantasia cresce.
Lugares escuros que acolhem a minha luz. 
Lugares escuros iluminados pela lua.
Sempre adorei caminhar entre as falhas.
Ficar presa nas fendas e tocar as fissuras.
Há lugares escuros onde fico calma mas onde também se reflete 
a necessidade da queda e do abismo.