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quarta-feira, 13 de julho de 2022




as aparências enganam
aos que odeiam e aos que amam
porque o amor e o ódio se irmanam
na fogueira das paixões
os corações pegam fogo
e depois não há nada que os apague
se a combustão os persegue
as labaredas e as brasas são o alimento
o veneno e o pão
o vinho seco
a recordação


as aparências enganam
aos que odeiam e aos que amam
porque o amor e o ódio se irmanam
na geleira das paixões
os corações viram gelo
e depois não há nada que os degele
se a neve cobrindo a pele
vai esfriando por dentro o ser
não há mais tempo de se aquecer
não há mais tempo de se esquentar
não há mais nada pra se fazer
senão chorar sob o cobertor

as aparências enganam
aos que gelam e aos que inflamam
porque o fogo e o gelo se irmanam
no outono das paixões
os corações cortam lenha
e depois se preparam para outro inverno
mas o verão que os unira
ainda vive e transpira
ali nos corpos junto à lareira
na reticente primavera
no insistente perfume
de alguma coisa chamada
amor

Elis Regina 

sexta-feira, 24 de novembro de 2017



Devíamos sempre ir ver o mar.

Olhei para este novo lugar só meu. Uma página virada, e mais outra, virgem, onde tudo pode ser escrito. A luz do dia que aparece no fundo do túnel depois de tantas noites sem dormir. Noites carregadas de dúvidas e perguntas.

Devíamos sempre ir ver o mar, ou as estrelas.

Fechei a porta do quarto e nunca me senti tão forte apesar das ruínas aos meus pés. Há a força que me obriga a seguir em frente, indiferente às feridas nos joelhos. Não há planos, apenas vontade de viver. Ninguém morre de um coração ferido. 


Devíamos sempre ir ver o mar. E as estrelas.

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

 
 
 
A cada passo que dou espero encontrar um corpo onde me possa encostar, uns braços que me empurrem para a frente e uma voz que me diga: não olhes para trás.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

 
 
 O que é o infinito senão uma tentativa de limitar em oito letras o que não tem limites, o que não tem explicação.
Somos uma mistura de energia e matéria, uma amálgama de células cheias de intenções, imaginação e emoções. Tudo vibra, ecoa e responde. Basta fechar os olhos e ouvir o barulho do silêncio. Viver e morrer. É vertiginoso e magnético. E no final resta uma pergunta: o que fizeste da tua vida?
 

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Ausência

Ninguém sabe onde estás. Ninguém sente a tua falta. Não tem mal. É melhor assim. As palavras nascem quando o coração seca. O importante é avançar.
Seguir em frente. Caminhar no meio da multidão que empurra.
A noite cai e tentas  assumir as contrariedades. E todos os pensamentos que se misturam na tua cabeça. E mais uma vez foges da queda.