Os de sempre. Como uma família.
O homem velho e doce, com o olhar cheio de nostalgia.
Tem o amor tatuado no braço. Na pele fina, uma data e um nome.
Na outra mesa, o casal de amantes que se junta de 3 em 3 meses para 2 horas de prazer.
No canto uma rapariga tímida. Senta-se sempre muito direita.
Observa tudo à sua volta.
Os segundos entre a sombra e a luz alimentam-na o suficiente para ganhar
forças e voltar para o emprego sem alegria.
A pele pálida e o tempo desenhado nos cantos dos olhos.
Ninguém a pode domar, ainda menos conquistar.
Talvez só queira ser amada.
ps: texto escrito no verso de um guardanapo, no café de sempre
