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segunda-feira, 24 de outubro de 2022



 Por baixo do tecido do céu, as tardes têm sabor a terra.

Não há muito a dizer.

E então sentir a multidão e ouvir o silêncio.






quinta-feira, 25 de agosto de 2022


Sem limites e sem filtros. Quase vinte anos de nós, cheios de altos e baixos. 

Com separações, chegadas e partidas. Parece tudo tão simples e quase nunca o é.

Falamos das nossas esperanças, das partículas de tristeza e do pó das estrelas que nos consome.

Nada escapa às confidências quando as lágrimas escorrem e se rasgam as palavras em mil pedaços.

Dissemos as pequenas mentiras que nos fazem ficar apesar do coração magoado.

Dissemos tudo, como as amigas que sempre fomos. 


domingo, 21 de agosto de 2022

 Sempre que a minha cabeça começa a divagar, faço listas.

Vantagens e desvantagens. 

Defeitos e qualidades. 

Olho para as palavras escritas para não esquecer.

E tudo fica mais fácil.

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

Não sei o que dói mais.

Perceber o que sempre soube ou ver a felicidade onde sempre desejei que ela não estivesse. 


sábado, 30 de julho de 2022

terça-feira, 26 de julho de 2022

Sou um animal de hábitos.

Mas o céu e os ventos mudam.

O meu pai sabia-o.

É o teu coração, dizia ele.

E o perfume da serra.


segunda-feira, 25 de julho de 2022


 Entre os povos da Guatemala há uma lenda que prevalece e se espalha pelo mundo. Quando se tem um problema partilha-se com a boneca da preocupação, antes de ir dormir. Depois coloca-se a boneca debaixo da almofada. Enquanto se dorme ela levará embora os problemas.

No início deste ano ofereceram-me esta boneca. Aliviou o peso das minhas muitas noites passadas acordada e com medo.

quarta-feira, 20 de julho de 2022




Esperar pela onda.

Tentar que o corpo volte a sentir.

E voltar para casa.

Descansar e ganhar forças.

Mais um dia que acaba.



sábado, 2 de julho de 2022





O tempo infinito e o rascunho de uma vida.
Depois da descida, a queda. O sorriso desaparece, as dúvidas e a repreensão.
Uma montanha intransponível dentro de mim. Despi tantas vezes o orgulho que não sobra mais nada.

sexta-feira, 17 de junho de 2022

Largar o que faz mal e arriscar. 
Desequilibrar a balança.
Nomear as palavras que dizem o possível, as que permitem andar junto ao abismo sem nunca cair.
Palavras escondidas na escuridão para afastar as sombras.
E então gritar tudo o que contei ao vento.



sábado, 11 de junho de 2022

Tentar apanhar as primeiras horas, a sensação do tempo sem limites.
Há o silêncio e a ausência.
Avançar por caminhos desconhecidos, instáveis.
Tentar escrever todos os momentos mágicos,  os que fizeram desequilibrar a balança para o lado da esperança.
Porque até no meio da tempestade, encontra-se sempre a verdade.

terça-feira, 24 de agosto de 2021



Semanas, meses sem descanso. 

Refugiar-se na família que se escolhe, junto das almas fortes. 

As que dão beleza ao mundo, até quando nada faz sentido.

quarta-feira, 5 de agosto de 2020



Quero o amor suave, as palavras doces, os sorrisos de madrugada, as horas azuis junto ao mar. 
Quero as mensagens sorrisos, a bondade, o respeito e o consentimento sussurrado.

E quero o fogo, a paixão que devora, as entranhas quentes da urgência, o sorriso nos lábios e os perfumes na pele, os corpos impacientes. 
Quero os gritos, o gozo barulhento, e o balanço dos rins.
Quero tudo e a absoluta liberdade.
Quero a poesia do dia, o sol quente e as horas cegas, sem janela para o mundo.
Quero tanto.
Mas quem tudo quer, tudo perde.


quinta-feira, 23 de julho de 2020



A caminho de casa oiço esta música e pela primeira vez "vejo" a letra. 
E é um murro no estômago ou a carapuça perfeita.
Porque no fim, não sobra nada de mim.

terça-feira, 21 de julho de 2020




Um corpo indiferente
O abismo colado à pele

A veia imóvel absorve o caos

Nos ecos da terra escura
a água procura a esperança

Sempre a mesma lama que avança

E o sonho que teima em não morrer

E o caminho para o fim
Como um recomeço

segunda-feira, 29 de junho de 2020



O vento era forte, dentro e fora.
O vento dentro, o barulho interminável durante o dia e de noite a ressaca. 
Gosto do mar cinzento, frio e o céu selvagem. 
A água rasgada que atropela tudo na esperança que cada coisa volte ao lugar certo.

Sou mulher de mar de inverno. 
As praias sacudidas pelo vento e os cabelos nos olhos.
Sou mulher de águas frias para sentir a vida. 
Uma mulher de céus estrelados, os pés descalços e o vestido molhado. 
E a água salgada. Por dentro e por fora.
Havia a areia que marcava as pernas e a cara. 
O vento furioso que apertava o peito, a maré baixa e a espuma branca e fria.


Havia o vento. Deixei-o levar-me, cansada de resistir. 

domingo, 21 de junho de 2020




Há as que se preparam, silenciosas, espessas e pesadas, opacas.
 Chegam com um carinho matreiro e puxam-nos para o abismo obscuro.
Os movimentos desaceleram. É quase impossível mexer. 
Os pensamentos transformam-se em pântanos.

Há também as pacíficas, que levam e trazem. 
Empurram o suficiente para ajudar nos movimentos e para poder crescer. 
As que cantam, sopram e acalmam. 
As que vêm cobertas de espuma mas que permitem avançar, sem medo.
Depois há as loucas e inesperadas. 
Atropelam e mostram desejos escondidos. 

E depois de rebolar e cair, voltam as primeiras, sempre. 

As ondas.

segunda-feira, 1 de abril de 2019


Tenho 41 anos e já não me sinto invencível. Tenho a medida da fragilidade na carne, nos ossos e no corpo inteiro. Na pele sei as marcas permanentes e as fissuras junto aos olhos.
Inspiro fundo para me encher do tempo que passa e que não volta atrás. À volta sei a vida frágil e os que vão embora, sempre cedo demais.
Ainda quero agarrar o valor de cada momento. O passado dissolve-se e o futuro intriga-me. No entanto o hoje é a única testemunha de um corpo que mexe.

As máscaras caíram e já não tenho medo dos outros, ou de mim própria. Acabei por perceber que nunca serei tudo o que desejava ser, o que não tem problema algum. 
É cansativo tentar agradar a todos e o melhor  é ser verdadeira, doa a quem doer.
Tenho 41 anos e não sei muito bem o caminho a seguir mas sei que a vida ainda pode ser louca, perigosa, imensa, bela e surpreendente. 
Tenho 41 anos e sinto-me grata.