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terça-feira, 11 de agosto de 2020


As palavras tiveram sempre um forte impacto. Para mim, a escrita pode ser uma bóia de salvação. 
A vida ensinou-me a não ter medo de me afogar e a minha maior vitória é poder escrever em total liberdade nas ondas do mar. Até no meio das tempestades, as palavras podem salvar-nos do naufrágio. Basta escrever.
Anunciamos ao mundo os nossos defeitos e tudo o resto também. E é na beleza da escrita que descobrimos que não estamos sozinhos. Cada frase é o som de uma voz que fala. 
Nunca poderei parar de escrever. Oiço os sons das letras e o barulho do lápis no papel. Escreve-se no silêncio para não gritar. O som das palavras será sempre mais forte do que um grito desesperado.

segunda-feira, 29 de junho de 2020



O vento era forte, dentro e fora.
O vento dentro, o barulho interminável durante o dia e de noite a ressaca. 
Gosto do mar cinzento, frio e o céu selvagem. 
A água rasgada que atropela tudo na esperança que cada coisa volte ao lugar certo.

Sou mulher de mar de inverno. 
As praias sacudidas pelo vento e os cabelos nos olhos.
Sou mulher de águas frias para sentir a vida. 
Uma mulher de céus estrelados, os pés descalços e o vestido molhado. 
E a água salgada. Por dentro e por fora.
Havia a areia que marcava as pernas e a cara. 
O vento furioso que apertava o peito, a maré baixa e a espuma branca e fria.


Havia o vento. Deixei-o levar-me, cansada de resistir. 

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019



Partilhei imensas noites com livros. Dos primeiros, recordo as aventuras e as convicções. 
Os clássicos alimentaram o prazer e a virtude. 
Camus e Sartre encheran-me de dúvidas e detestei Ignatius Reilly. 
Mas sem dúvida alguma, Kundera e Sade.
Uma pequena biografia literária que simplifica o meu caos pessoal.
A vida seria mais tranquila sem a leitura mas eu sou insatisfeita. Perceber, provar, mexer. 
Em cada leitura fico cheia. deixo-me atravessar e invadir. 
Sem reserva, até provar a última gota de prazer.

segunda-feira, 23 de abril de 2018


Sabes que tudo acaba.
Às vezes tentas esquecer porque é mais confortável e menos assustador. 
Ou porque a lista dos apetites é grande e a das curiosidades maior ainda. 
Esqueces o fim quando a vida é doce e suave e sabes o equilíbrio entre a tempestade e a rotina.
Mas depois um amigo morre, um pai, uma conhecida. 
Ou o médico faz aquela cara estranha quando vê os teus exames. 
E então lembras-te que há um fim.
Há um início e um fim. É um facto impossível de negar. 
E é por isso que devias engolir o medo e olhar para o mundo, 
para aquela criança que aprende a andar, 
para os teus filhos que crescem a uma velocidade vertiginosa. 
Diz gosto de ti. Abraça. 
E quando chover vais olhar para o céu e ver a beleza do céu fértil. 
Talvez amanhã já esteja tudo esquecido. Ou não. 
Mas não é grave. A vida é assim.

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018



O prazer provocado pela sucção e depois pela degustação. As moléculas escorregam suavemente pelas papilas gustativas. A lenta deglutição abre o caminho do prazer até ao cérebro. O gozo começou. As mensagens químicas criadas correm para a frente sináptica. O ambiente está cheio de eletricidade. O córtex é inundado com miliares de impulsos nervosos. 
O desejo sobre inexoravelmente.