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domingo, 4 de fevereiro de 2018


O vento corre nas ruas e despenteia uma rapariga que deve ter passado horas a domar o cabelo rebelde para agradar a quem ama em segredo.
Os carros voam por cima da estrada enquanto a noite chega devagar.
A minha cidade fica azul. O piano nos meus ouvidos ainda dança, as minhas ancas roçam na pressa das pessoas que passam por mim a correr. O jovem e o seu ramo de flores, bonito mas triste. A mãe e os pequenos.
O museu vai fechar as portas e os últimos curiosos invadem os passeios, os olhos carregados das cores da vida junto ao rio de águas negras.
O mundo passa e eu paro. Cheiro as pessoas que se cruzam comigo sem olhar para mim. O ar frio entra-me no corpo. A rua ficou vazia.
Saboreio o vento e sonho acordada. Danço e deixo-me levar pela ligeireza. Provoco-a. Antes de cair. É evidente. Danço antes da queda.

domingo, 28 de janeiro de 2018



Sábado à noite. Gosto da força do vinho. E o espelho grande que reflecte no outro, como um buraco infinito onde caem os meus pensamentos. 
E quando toca a meia noite saio para a rua apanhar o ar fresco da noite. Avanço rapidamente. Tenho o vestido preto e o casaco rosa. E as sapatilhas claro. As luzes dançam no rio que ondula. 
E de repente anseio pelo vazio. Talvez perceber o que me impede de ser feliz.

domingo, 10 de dezembro de 2017


É um domingo cinzento às portas do inverno. Cheira a canela, a mimos e a chocolate quente. 
É um domingo surdo a olhar a chuva a cair. Um domingo lento. Uma viagem ida e volta entre a leveza da alma e o abismo imenso.