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quinta-feira, 3 de maio de 2018



Chove na noite e as luzes projetam as sombras da angústia nas ruas molhadas. As gotas batem na luz e na varanda do meu terceiro andar. O silêncio fica preso na garganta. A cama está gelada e a sombra da janela desenha uma cruz imensa no chão. Nada faz sentido.

sexta-feira, 27 de abril de 2018


Lembras-te da pele suave e do amor?
Por baixo das costelas o coração quente e a audácia da idade. 
O apetite renovado como um reencontro.  
As unhas na pele dos ombros, a boca junto ao pescoço e os arrepios roubados na esquina do tempo. 
Vejo as rugas desenhadas, a suavidade e a fantasia. 
Adormecer num abraço protetor e provar a madrugada de um corpo tranquilo e 
a emoção vermelha da pele cansada na manhã valente. 
E o perfume, depois de uma noite entre desejo e lembrança.

terça-feira, 17 de abril de 2018


Algumas lágrimas antes do que vem a seguir
Como um poema que te ajuda a sair da sombra
A noite saberá da água ou de ti
Das mãos que estão na fonte
As do coração
E as palavras como uma estrada onde se caminha devagar
Sem muito barulho
O suficiente para que os muros devolvam os ecos de um tempo que se quer mais feliz

quinta-feira, 12 de abril de 2018



Tenho a saudade desenhada nos pulsos. Como a noite, os dias e os meses.
Depois das horas a tocar o suave e a pele, a seda e o veludo.Os murmúrios escolhidos, as palavras e a heresia.
Os corpos deram o ritmo e o jazz ligeiro. Escolhi o desejo e a vida que atravessa. 
Entro dentro do silêncio, um mergulho interior em que o mundo fica do lado de fora. O pior e o melhor. O coração esgotado e o corpo cansado mas cheio de vida. A curva dos rins, a linha e as horas oferecidas. E talvez o tempo e a beleza. O sal nos cabelos conta a satisfação e a celebração da primavera que tarda. De vez em quando é preciso provocar a vida.


quinta-feira, 5 de abril de 2018


A noite tem janelas dentro, pequenas como os meus olhos,
grandes como os vitrais de uma igreja e às vezes invisíveis.
Janelas abertas para a intimidade da escuridão e para o erotismo do mundo.
Janelas que iluminam o corpo do vizinho do terceiro andar ou que inundam as entranhas da mulher do rés-do-chão.
A noite tem janelas pequenas cheias de vida dentro.