Ele fala e a voz masculina ecoa entre os muros da sala. Um eco que cresce no meu corpo, onde o calor começa a subir. Olho para a boca de homem, para a barba que nasce. Fruto proibido. Há homens assim. Os olhos azuis, verdes ou escuros, as sobrancelhas rasgadas com uma cicatriz, os dedos compridos, os ombros largos que fazem desaparecer, as vozes graves que ecoam quando as salas ficam vazias das presenças deles e cheias das palavras ditas. Fala-se pouco da sensualidade dos homens. Do olhar que queima quando o corpo está nu, quando os olhos descem. Não se fala das fraquezas, da voz que falha ou das mãos que apertam o pescoço. Das mãos que encostam um corpo a uma parede e que reclamam a pele. Fala-se pouco das mãos violentas que fazem tremer, que te puxam do caos para o sentires por inteiro.
