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sábado, 8 de agosto de 2020



Há uma tranquilidade estranha em casa. Levanto o nariz do livro e oiço o sino da capela. 
Passaram algumas semanas e ainda sinto um vazio quando não estás na minha vida. 
O teu silêncio prolongado deixa-me triste. Ausência involuntária? Cansaço? Preguiça? Distância imposta? 
Talvez seja uma fuga. Mas o comboio há-de partir sem ti. 
Sei que não vais dar notícias. Vais calar-te, como sempre e vou continuar descosida. 
Palavras frágeis. 
A distância que nos separa, distância desprovida da tua presença é para mim como um abismo. 
Sou apenas sombra. Caio. 
É um mau estar que não controlo. 
É uma sensação desagradável pintada de emoções que me fazem mal. 

Desculpa. Vou deixar-me levar pela voz da Alice. 



terça-feira, 21 de julho de 2020




Um corpo indiferente
O abismo colado à pele

A veia imóvel absorve o caos

Nos ecos da terra escura
a água procura a esperança

Sempre a mesma lama que avança

E o sonho que teima em não morrer

E o caminho para o fim
Como um recomeço

quinta-feira, 27 de setembro de 2018




Entre o crepúsculo e o céu aberto
Há a luz
E os dias inteiros num mundo ao contrário
O amor invade a madrugada e as horas 

Reagimos à ausência e construímos muros à volta do coração
E no meio de tantas desilusões, o sonho teima em voltar.
E o alvo é sempre o mesmo