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quarta-feira, 5 de agosto de 2020



Quero o amor suave, as palavras doces, os sorrisos de madrugada, as horas azuis junto ao mar. 
Quero as mensagens sorrisos, a bondade, o respeito e o consentimento sussurrado.

E quero o fogo, a paixão que devora, as entranhas quentes da urgência, o sorriso nos lábios e os perfumes na pele, os corpos impacientes. 
Quero os gritos, o gozo barulhento, e o balanço dos rins.
Quero tudo e a absoluta liberdade.
Quero a poesia do dia, o sol quente e as horas cegas, sem janela para o mundo.
Quero tanto.
Mas quem tudo quer, tudo perde.


quinta-feira, 23 de julho de 2020



A caminho de casa oiço esta música e pela primeira vez "vejo" a letra. 
E é um murro no estômago ou a carapuça perfeita.
Porque no fim, não sobra nada de mim.

terça-feira, 21 de julho de 2020




Um corpo indiferente
O abismo colado à pele

A veia imóvel absorve o caos

Nos ecos da terra escura
a água procura a esperança

Sempre a mesma lama que avança

E o sonho que teima em não morrer

E o caminho para o fim
Como um recomeço

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019


Nem sempre a corrente que nos leva é a mais favorável.
No entanto, escolhemos lutar contra uma maré que insiste em trazer-nos de volta para o mesmo lugar. 
Não há tempo para arrependimentos, nem vontade de traçar um novo rumo.
Respiramos fundo e voltamos diferentes. 
Nem melhor, nem pior. Apenas diferentes.

quinta-feira, 21 de junho de 2018



Sandra Pozun

A casa cheira a madeira húmida como a lembrança do chão velho e abandonado.
No fundo das escadas uma cabeça de leão. 
Uma sensação familiar, trinta anos depois quando desço os degraus.
As pedras velhas afastam o calor. 
Os lençóis de algodão frescos na pele. 
Tenho dez anos e depois quarenta. 
O prazer mudou desde as primeiras emoções.
A estrada e os caminhos atravessados, as evasões. 
Sentes o sal junto ao pescoço e uma madeixa de cabelo húmido 
que dois dedos afastam da tua cara.
Ao fundo o céu cinzento, o corpo amado e a fome que nasce.
Há que sentir a vida e provar a pele.