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terça-feira, 11 de agosto de 2020


As palavras tiveram sempre um forte impacto. Para mim, a escrita pode ser uma bóia de salvação. 
A vida ensinou-me a não ter medo de me afogar e a minha maior vitória é poder escrever em total liberdade nas ondas do mar. Até no meio das tempestades, as palavras podem salvar-nos do naufrágio. Basta escrever.
Anunciamos ao mundo os nossos defeitos e tudo o resto também. E é na beleza da escrita que descobrimos que não estamos sozinhos. Cada frase é o som de uma voz que fala. 
Nunca poderei parar de escrever. Oiço os sons das letras e o barulho do lápis no papel. Escreve-se no silêncio para não gritar. O som das palavras será sempre mais forte do que um grito desesperado.

segunda-feira, 29 de junho de 2020



O vento era forte, dentro e fora.
O vento dentro, o barulho interminável durante o dia e de noite a ressaca. 
Gosto do mar cinzento, frio e o céu selvagem. 
A água rasgada que atropela tudo na esperança que cada coisa volte ao lugar certo.

Sou mulher de mar de inverno. 
As praias sacudidas pelo vento e os cabelos nos olhos.
Sou mulher de águas frias para sentir a vida. 
Uma mulher de céus estrelados, os pés descalços e o vestido molhado. 
E a água salgada. Por dentro e por fora.
Havia a areia que marcava as pernas e a cara. 
O vento furioso que apertava o peito, a maré baixa e a espuma branca e fria.


Havia o vento. Deixei-o levar-me, cansada de resistir.