segunda-feira, 28 de setembro de 2020

O sexo é uma dança magnífica.
Desde os primeiros arrepios aos gemidos roucos, as peles contam histórias maravilhosas. O sopro das palavras sussurradas, os risos genuínos, o barulho de um beijo no ombro. E então os lençóis amarrotados, a roupa que escorrega, impaciente. E os dedos que deslizam no cabelo, os ossos que estalam. Depois a língua molhada, os lábios e o suspiro, esse som que sai da garganta mas que diz mais do que as palavras.
A boca nos mamilos, sucção, os dentes que mordem a carne. Os lábios na pele da barriga, veludo e cetim.  O sopro junto ao sexo esmagado, eco húmido. E ainda os corpos nus que procuram e agarram, provam e alimentam.
Depois a língua na boca e as ancas que se encontram, as mãos nas coxas e de repente o silêncio.
Um sussurro junto ao ouvido. Um grito.
E a música de novo.


ps: do regresso às origens

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

 O mais triste é a indiferença. Quando a ilusão existe, tudo faz sentido mas quando também ela nos abandona, tudo acaba dolorosamente . Avanço para trás, caindo mais um pouco dentro do sonho que queimou como um incêndio. 

Sento me na pedra mais alta e olho para o abismo.  E talvez seja o sonho que nos faça continuar, esfregando os olhos com uma areia demasiado corrosiva. É uma sensação estranha poder assistir ao nosso futuro. Descer até às raízes do tempo e ser a metáfora de nós próprios. 

Mas a verdade é que regressamos sempre das nossas ruínas, das nossas emoções excessivas, dos nossos sentimentos de vida e de eternidade, dos pensamentos confusos, das rotinas onde se misturam o ódio e o amor, da dor incompreensível e das nossas alegrias. 

Regressamos da nossa imaginação, do nosso cansaço, das nossas ilusões, de um sonho que era nosso, de um tempo que é e que já acabou. Regressamos de dentro de nós e esse mal não tem cura. 

terça-feira, 25 de agosto de 2020

 Sabes os olhos frios que avaliam e que te vêem a sangrar. Os mesmos olhos que já foram ternos. 

Sabes as.maos que seguram a faca junto ao coração. Essas mãos que ferviam na tua pele.

Acreditaste que era possível ser amada

Não há pior inimigo do que a esperança. E no fim, vão se sempre embora e todos os dias, mais uma vez, tudo acaba.