Imagino a loucura, o impossível. Em frente ao espelho. Danço, rio. Faço de conta.
A felicidade nunca é tão grande como nos bastidores. No lugar onde todos os destinos são possíveis. Desenhar o futuro. Antecipar a tormenta. Manter o equilíbrio e saber a espuma dos dias na ressaca de uma estória desejada.
quarta-feira, 24 de março de 2021
Percebi hoje de manhã quando estava sentada a tomar o pequeno almoco.
O medo desapareceu. Amanhã não é mais certo do que ontem mas tenho o coração tranquilo. Quando estamos em paz tudo encaixa. Posso viajar apesar de ninguém me acompanhar. Posso arriscar e voar, as consequências são apenas minhas.
E pela primeira vez em muitos anos, sinto que está tudo bem.
Ps: está tudo bem menos a pandemia
domingo, 21 de março de 2021
Tarde de mais para se deitar cedo. Cedo demais para se levantar tarde. A hora de penumbra azul, a morte do vento suave e a humidade que cai. A hora sublime em que apenas os insanos passeiam os cães imaginários, falando para o próprio reflexo nas montras apagadas.
É a hora dos maiores receios.
sábado, 13 de fevereiro de 2021
Onde se esconde a tristeza? Será na fenda do diafragma, no charco da garganta, nos músculos que não sentem mais a força? Onde se esconde a dor dos corações feridos?
A quem pertence este corpo que parecia andar tão bem? Os poros não são a melhor saída para o desespero. Não se pode abrir a janela do coração como se abre a janela de uma casa.
Essa janela está noutro lugar. É o céu da manhã, uma faísca, um sorriso em frente ao espelho, algumas palavras lidas num livro. Essa janela é levantar de manhã e vestir-se. É sair quando não apetece. É cuidar. É o tempo que corre e que apaga a dor. Um jantar. Um chá que se partilha.