terça-feira, 16 de junho de 2020



Todos conhecem músicas, livros ou pessoas capazes de viciar, 
daquelas que se esgueiram pelo meio dos pensamentos, impedindo qualquer concentração? 

Quem nunca sucumbiu a uma tentação? 
Daquelas tentações que atropelam sem avisar , cheias de indecência. 

Às vezes sou uma mulher imprópria, que insiste sem pudor. 
Enfio as minhas palavras nos silêncios, como um suspiro entre as costelas, 
um murmúrio junto aos rins, uma tumulto na fissura sombria da raiva. 
E aprendo a guardar as feridas. 

E então há que celebrar a alegria. Ela ilumina as cicatrizes. 
Rir para saborear, sorrir. Engolir os segundos felizes e frágeis. 
 O suor afoga-se nos lençóis e perfuma o quarto. 
Não existe mais nada além da urgência, do olhar que emociona.
Agarrar a força, tocar os sorrisos, lamber o sal junto aos lábios. 

Há momentos cheios de faíscas, quando se inventa um outro mundo.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019




Preso. 
Algures entre o coração e a madrugada.
E o sol por cima dos telhados.
E Chet Baker, baixinho na cozinha.

E as palavras.
A vontade de amar, apesar dos humores inconstantes.
A distância que separa.
Como as duas margens de um rio.
E as pedras. E a corrente.
 
Irei caminhar. Vou sempre.
Escrever e caminhar. 
Atravessar a cidade e os dias.

E agarrar as imagens nas batidas do coração.
Está tudo bem.
A luz persiste.Sempre.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019



Partilhei imensas noites com livros. Dos primeiros, recordo as aventuras e as convicções. 
Os clássicos alimentaram o prazer e a virtude. 
Camus e Sartre encheran-me de dúvidas e detestei Ignatius Reilly. 
Mas sem dúvida alguma, Kundera e Sade.
Uma pequena biografia literária que simplifica o meu caos pessoal.
A vida seria mais tranquila sem a leitura mas eu sou insatisfeita. Perceber, provar, mexer. 
Em cada leitura fico cheia. deixo-me atravessar e invadir. 
Sem reserva, até provar a última gota de prazer.