quinta-feira, 12 de abril de 2018



Tenho a saudade desenhada nos pulsos. Como a noite, os dias e os meses.
Depois das horas a tocar o suave e a pele, a seda e o veludo.Os murmúrios escolhidos, as palavras e a heresia.
Os corpos deram o ritmo e o jazz ligeiro. Escolhi o desejo e a vida que atravessa. 
Entro dentro do silêncio, um mergulho interior em que o mundo fica do lado de fora. O pior e o melhor. O coração esgotado e o corpo cansado mas cheio de vida. A curva dos rins, a linha e as horas oferecidas. E talvez o tempo e a beleza. O sal nos cabelos conta a satisfação e a celebração da primavera que tarda. De vez em quando é preciso provocar a vida.


quarta-feira, 11 de abril de 2018

segunda-feira, 9 de abril de 2018



A tristeza das nuvens cola-se ao meu corpo. 
O sol desapareceu e não pára de chover. Até o dia tem os pés molhados. 
As poças atravessam a pele e a humidade instala-se nos ossos.
É pior do que viver dentro do mar. 
As articulações queixam-se e pergunto-me quando é que o céu vai parar de chorar.
Os olhos habituam-se ao cinzento que nunca desaparece totalmente. 
Acordo e adormeço com o cheiro a terra molhada.
Os dias morrem numa estranha semelhança e a vida parece uma noite sem fim. 
Às vezes tenho medo que dure para sempre.

quinta-feira, 5 de abril de 2018


A noite tem janelas dentro, pequenas como os meus olhos,
grandes como os vitrais de uma igreja e às vezes invisíveis.
Janelas abertas para a intimidade da escuridão e para o erotismo do mundo.
Janelas que iluminam o corpo do vizinho do terceiro andar ou que inundam as entranhas da mulher do rés-do-chão.
A noite tem janelas pequenas cheias de vida dentro.