quarta-feira, 6 de dezembro de 2017


Queria não escrever a falta que me fazes. Prometi a mim própria que não ia encher páginas de ti enquanto o meu amor não acabasse. Mas as palavras brotam com a força das lágrimas que parecem não ter fim.Vivo os dias em piloto automático. Um atrás do outro. A ausência ocupa tanto lugar. Demasiado. Até quando estarei presa a ti? A um nós que já não é?

Tenho de voltar a aprender a cuidar de mim mas ainda não acabei de te amar


I. Chocolate, leite, baunilha e caramelo. A lareira e as músicas de natal.

II. Uma mistura de cores e de texturas em perfeita harmonia nas paredes brancas. Como a palete de um pintor impressionista e um quadro suave e fascinante.

III. As prendas e o papel claro que se misturam na cor da madeira. Harmonia de tons e cores quentes.

IV. O frio que queima as pernas. Um pensamento: o momento de refúgio do corpo no interior, junto ao calor seco das mantas espessas. O frio voltou e morde os tornozelos. Aceitá-lo e sorrir com o arrepio junto ao calor, o alívio do corpo e o peso da alma. A solidão.

V. Bolachas quentes e estaladiças, o cheiro da manteiga que faz cócegas no nariz. Encantamento diabólico, tentação, resistência, batalha final: a manteiga venceu.

VI. O chá que queima os dedos e que escorre na garganta como um metal precioso, um líquido em fusão que aquece o corpo. 

VII. Aninhar-se numa manta cinzenta nuvem. Adormecer e passar a noite redonda e cheia de sonhos. Acordar e sentir a realidade fria nas costelas, junto ao coração.

VIII.As luzes refletidas nas janelas dançam e hipnotizam, pequenos meteoritas descidos do espaço e que aparecem entre a árvore de natal e as velas.

IX. Uma decisão. Não saber se vamos conseguir seguir o rumo definido.

XX. Mergulhar por baixo dos cobertores à procura de um abraço que não volta.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017


Fecho os olhos e vejo o teu sorriso. Consigo cheirar o perfume da tua pele e sentir o toque das tuas mãos fortes no meu corpo. A dor que atravessa a minha alma não tem fim. Morro pouco a pouco e tento agarrar-me a cada memória nossa como se fosse uma bóia de salvação. Devia ter aprendido a dar menos. A amar menos. Talvez a dor fosse menor. Há quase seis meses que espero que o tempo consiga apagar-te de dentro de mim. Mas sei hoje que esquecer-te é impossível.