quarta-feira, 13 de maio de 2026

 A chuva que bate na janela, ao cair da tarde, como uma música sem notas.

O roçar do lençol de algodão sobre a pele lisa e a coxa que desliza.

A carne estremece.

O óleo na mão, e o deslizar dos rins até às coxas, como uma música húmida.

Os dedos junto do caminho delicado, como os pés no rio gelado, ou o duche quente da manhã. 

Café que queima.

A respiração suspensa no prazer explosivo.

O corpo sorri.

E depois o silêncio. 

O silêncio que eu amo.



quinta-feira, 18 de julho de 2024

Desejo



Dizer o desejo. 

Dizer as palavras que tocam e os gestos que provam.

Olhar, sorrir e deixar as mãos na pele suave.

Dizer com o corpo o que a boca mim nunca dirá.

Antes o remorso do que o arrependimento.

terça-feira, 18 de junho de 2024

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Domingo



E como o sol que espreita entre as nuvens, também eu regresso pouco a pouco a minha vida. O olhar atento e o cabelo rebelde. E uma chávena de café. Escuro.

terça-feira, 26 de março de 2024

São meses sem escrever uma linha.
E um dia, como uma urgência, bloqueias a tua agenda para voltar às palavras e ao desejo. E sentes que  venceste uma batalha fútil. Mas essencial.

domingo, 18 de fevereiro de 2024

“There was only one thing the perfume could not do. It could not turn him into a person who could love and be loved like everyone else. So, to hell with it he thought. To hell with the world. With the perfume. With himself”


 Patrick Süskind
Perfume: The Story of a Murderer







sexta-feira, 16 de fevereiro de 2024

Quero um café cheio de amor, sabes? Com sorrisos doces e arrepios nos rins. E adormecer com uma pele na minha. Mas às vezes, a noite esquece que eu existo.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2024

Domingo chega ao fim e as flores iluminam a noite. 

O céu está nas poças de água e não vejo as estrelas.

Silêncio e passos a meio da noite.

Os passeios estão molhados. Sou apenas uma mulher de costas debaixo de um chapéu de chuva.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

E janeiro que vem com as sombras azuis.

Tinhas razão. Sempre preferi as almas escuras.

Mas não te preocupes. Tenho um quarto onde cabe o meu caos.

Quem sabe um dia alguém o queira partilhar comigo.

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

 Há um silêncio ensurdecedor. 

Pesa na alma. 

Porque eles não estão.

Porque ele não está.

Hoje sinto o bafo fedorento da solidão.

sábado, 16 de dezembro de 2023


Está sempre presente. A tristeza.
No entanto olho menos para o caminho a minha frente. Uma intuição talvez. Evito ver o que não quero.
Mas nada me impede de perceber tudo ao meu redor.
O fosso é cada vez maior e as diferenças também.
Porque a queda é livre e o meu café é sempre forte. Sem açúcar.


sábado, 2 de dezembro de 2023

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

As palavras penetram a realidade e o ar fica cheio de cada uma das sílabas.

Depois não é tanto o que elas dizem mas o vento que elas trazem.
 
Ume neblina. A grandeza do caos. Dúvidas. Muitas.

sábado, 18 de novembro de 2023



Bebo o meu café e olho para as folhas que caem.

Tenho dificuldade em distinguir orgulho e amor próprio.

Mas talvez a noite seja um apontamento que nos leva a perceber as fronteiras da nossa loucura.